Governo prevê risco de quebra de safra com El Niño e prepara plano de R$ 1,3 bilhão

 


Fenômeno climático pode provocar seca em diferentes regiões do país, reduzir a geração hidrelétrica e afetar as produções de arroz e milho

O governo federal identificou riscos de quebra nas safras de arroz e milho diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade em 2026. O fenômeno também preocupa o setor elétrico, já que a previsão de redução das chuvas em parte do país pode diminuir o nível dos reservatórios e comprometer a geração de energia hidrelétrica.

Diante do cenário, o governo prepara um conjunto de medidas estimado em R$ 1,3 bilhão. O plano foi apresentado nesta quarta-feira (29) durante reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes de órgãos públicos, no Palácio do Planalto.



Seca preocupa produção agrícola e geração de energia

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, alterando os padrões de chuva em diversas partes do mundo. No Brasil, os impactos esperados são diferentes conforme a região.

A previsão do governo aponta possibilidade de seca ou atraso das chuvas no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Já no Sul, o principal risco é o excesso de precipitação, com possibilidade de enchentes e deslizamentos.

A redução das chuvas também pode afetar os reservatórios de hidrelétricas. Na região Norte, usinas como Jirau, Santo Antônio e Belo Monte podem registrar queda na geração de energia, aumentando a necessidade de acionamento de termelétricas.

O governo avalia ainda a logística de abastecimento dessas usinas. Em áreas do Norte, parte significativa do transporte de combustíveis é feita pelos rios. Caso os níveis dos rios também diminuam, a distribuição de diesel poderá se tornar um ponto crítico.

Estoques de arroz e milho serão reforçados

Para reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra, o governo pretende ampliar os estoques públicos de alimentos.

A previsão é comprar 310 mil toneladas adicionais de arroz e 180 mil toneladas de milho, com custo estimado em aproximadamente R$ 850 milhões.

Outra medida será antecipar a distribuição de 160 mil cestas básicas que já estavam previstas e adquirir outras 350 mil cestas. Os alimentos deverão ser destinados principalmente a populações vulneráveis, incluindo povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas.

A compra das novas cestas está estimada em R$ 65 milhões.

Combate a incêndios e ações de saúde

O pacote de medidas de R$ 1,3 bilhão também prevê recursos para prevenção e resposta a outros impactos associados ao fenômeno climático.

Entre as ações planejadas estão:

  • R$ 337 milhões para prevenção e combate a incêndios;
  • R$ 45 milhões para medidas de saúde pública;
  • R$ 25 milhões para monitoramento do nível dos rios;
  • R$ 13 milhões para aquisição de alimentos de agricultores.

O abastecimento de água nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas também entrou no radar do governo. A preocupação está relacionada à possibilidade de atraso das chuvas no Sudeste.

O presidente Lula afirmou que a preparação busca antecipar respostas para um cenário climático severo. A estratégia é evitar que o governo seja obrigado a reagir apenas depois que os efeitos da seca, das enchentes ou da redução da produção agrícola já estejam instalados.

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