Coleta seletiva em São Paulo continua abaixo da meta e recicla menos de 3% dos resíduos urbanos

 


♻️ Capital paulista avança lentamente na reciclagem enquanto especialistas alertam para falta de investimentos e desigualdade no sistema

Mais de 15 anos após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a cidade de São Paulo ainda enfrenta dificuldades para ampliar a reciclagem. Um estudo inédito da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) revela que menos de 3% de todo o lixo coletado na capital é encaminhado para reciclagem, percentual muito distante da meta de 10% estabelecida para o período.

A pesquisa aponta que, apesar de pequenos avanços ao longo dos últimos anos, o crescimento foi considerado insuficiente para atender às necessidades de uma das maiores cidades do mundo. Especialistas afirmam que o principal obstáculo é a ausência de novos investimentos estruturais capazes de expandir a capacidade de coleta, triagem e processamento dos materiais recicláveis.


📊 Evolução lenta da reciclagem

Os dados mostram que a coleta seletiva passou de 0,6% do total de resíduos em 2006 para 2,85% em 2024.

Embora o crescimento exista, ele ocorre em ritmo muito inferior ao esperado.

IndicadorSituação
Coleta seletiva em 20060,6%
Coleta seletiva em 20242,85%
Meta prevista pela PNRS10%
Resultado atualMuito abaixo da meta

Segundo as pesquisadoras responsáveis pelo estudo, o sistema apresenta um crescimento gradual, porém limitado por gargalos estruturais que impedem um salto significativo na reciclagem da cidade.


🏗️ Estrutura praticamente parada desde 2017

Outro ponto destacado pela pesquisa é que a infraestrutura utilizada para o tratamento dos resíduos praticamente não mudou desde 2017.

Os centros de tratamento, as estações de transbordo e as unidades automatizadas de recuperação de materiais continuam operando com capacidades semelhantes às de quase uma década atrás.

Na avaliação das pesquisadoras, esse cenário cria um limite físico para a expansão da coleta seletiva.

Sem novos investimentos em:

  • 🚛 logística
  • 🏭 unidades de triagem
  • 🤖 automação
  • 💰 tecnologia
  • 📈 gestão pública

o município dificilmente conseguirá aumentar de forma significativa o percentual de resíduos reciclados.


👷 Catadores continuam sendo peça fundamental

O estudo também chama atenção para a situação das cooperativas de catadores.

Apesar de exercerem papel essencial na recuperação dos materiais recicláveis, muitas cooperativas ainda enfrentam dificuldades como:

  • baixa remuneração;
  • pouca infraestrutura;
  • ausência de incentivos permanentes;
  • limitações para ampliar suas operações.

Pesquisadores afirmam que fortalecer essas organizações poderia aumentar significativamente a reciclagem, gerar empregos e reduzir o volume de resíduos enviados aos aterros sanitários.


🏙️ Desigualdade aparece no mapa da reciclagem

Outro dado importante mostra que a reciclagem não acontece de maneira uniforme pela cidade.

Os bairros com maior renda apresentam índices mais elevados de coleta seletiva, enquanto diversas regiões periféricas registram participação bastante reduzida.

Essa diferença evidencia desafios relacionados ao acesso aos serviços públicos, à infraestrutura disponível e ao nível de conscientização ambiental entre diferentes áreas do município.


🌱 Educação ambiental ainda é um desafio

Especialistas defendem que aumentar apenas a infraestrutura não será suficiente.

Também será necessário investir em:

  • 📚 educação ambiental contínua;
  • 🗑️ orientação sobre separação correta dos resíduos;
  • ♻️ campanhas permanentes de conscientização;
  • 🤝 fortalecimento das cooperativas;
  • 🚚 ampliação da coleta seletiva.

Segundo os pesquisadores, muitos moradores ainda desconhecem os dias da coleta seletiva ou quais materiais realmente podem ser reciclados, o que reduz a eficiência de todo o sistema.


🏛️ Prefeitura afirma que há investimentos previstos

Em resposta ao estudo, a Prefeitura de São Paulo informou que a coleta seletiva passou a atender todas as vias da cidade e afirmou que existem investimentos voltados para renovação da frota, ampliação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), implantação de tecnologias de monitoramento e futuros projetos de modernização da infraestrutura de resíduos sólidos.


📌 O desafio continua

A pesquisa reforça que São Paulo possui um sistema de coleta seletiva mais desenvolvido do que a média nacional, mas ainda distante do potencial esperado para uma metrópole de seu porte.

Sem ampliação da infraestrutura, valorização das cooperativas e maior participação da população, especialistas avaliam que será difícil elevar significativamente a reciclagem nos próximos anos.

Além dos benefícios ambientais, aumentar a recuperação de materiais recicláveis reduz a necessidade de novos aterros sanitários, diminui a emissão de gases de efeito estufa, gera empregos e contribui para uma economia mais sustentável. 

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