CÉSAR BORGES DENUNCIA AUMENTO DA CRIMINALIDADE NA BAHIA
O Senador César Borges (PR-BA) ocupou a tribuna do Senado na tarde desta terça-feira, 10, para denunciar o aumento da criminalidade na Bahia e lamentar a falta de atitudes do governo do Estado.
O Parlamentar informou que, no final de semana, "até a pacata Ilha de Itaparica" foi "barbaramente atingida", quando houve o assassinato de um paranaense radicado em Salvador e do comandante de um barco fretado por turistas de São Paulo. O comandante tentou defender uma família durante o assalto.
O Senador lembrou que, ante o aumento da violência contra turistas que vão a Itaparica, o governo instalou no local uma delegacia, "mas que não funciona à noite". Os dois crimes ocorreram na área da marina de Itaparica e a notícia "com certeza vai riscar" a Bahia do turismo náutico, apesar da beleza das 40 ilhas da região, acrescentou.
César Borges leu declarações indignadas feitas ao jornal A Tarde pelo escritor João Ubaldo Ribeiro, um baiano de Itaparica. Conforme Ubaldo, a situação é o resultado de "um governo desastroso" e diz: "A polícia só tem um carro (na ilha). Isso é uma esculhambação. Meu Deus. Agora matam em Itaparica. Ele está governando a Bahia como se fosse a casa de mãe Joana".
O Senador baiano lamentou ainda que, "para que o turista ande" em Salvador, há necessidade de escolta, feita por policiais à paisana. César Borges leu ainda outra manchete do jornal A Tarde: "Bandidos param sete bairros com toque de recolher".
"Por que isso agora? Não podem nem culpar governos passados. Antes, essa violência não existia na Bahia", salientou.
Leia a íntegra do discurso do Senador César Borges (PR-BA)
O SR. CÉSAR BORGES (Bloco/PR - BA. Para uma comunicação inadiável. Sem revisão do orador.) - Obrigado, Sr. Presidente.
Srs. Senadores, é com profunda tristeza, constrangimento, indignação que eu venho hoje a esta tribuna para falar para o Brasil, falar para o Senado Federal, falar para os baianos que me ouvem neste instante, da situação inadmissível em que se encontra o Estado da Bahia com relação à insegurança, à violência, à criminalidade que grassam no Estado da Bahia, para as quais, infelizmente, não se veem providências adequadas.
Sr. Presidente, a Bahia amanheceu no domingo estarrecida e se encontra assim ainda hoje. Eu vou mostrar as manchetes de jornais. Foi assassinado, fria e barbaramente, um cidadão
paranaense, mas que tinha adotado a Bahia, um cidadão de 36 anos, Abel Aguilar, que estava em um barco ancorado na cidade de Itaparica. Todos conhecem Itaparica. Itaparica é um recanto que nós, baianos, tomamos como aquele recanto admirável, onde reina a paz, a tranquilidade, bucólico, um lugar turístico, hoje um porto, uma atração internacional de paradas de barcos que vêm da Europa, dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Argentina, do mundo inteiro, pela beleza, pela paz do local.
Pois bem, Sr. Presidente. Lamentavelmente, essa terra querida da Bahia, em particular Itaparica - todo o baiano ama Itaparica - tem vivido momento de intranquilidade.
Essa é uma tragédia anunciada. Em dezembro, saiu no Jornal Nacional e todo mundo tomou conhecimento de um casal de franceses que foi assaltado, espancado barbaramente. Toda a comunidade turística, o trading turístico, os velejadores, todos que amam o mar, que amam Itaparica, pediram providências.
Lamentavelmente as providências, Sr. Presidente, é uma delegacia fechada à noite, um delegado que não está presente, três agentes policiais dormindo na delegacia. É, enfim, a incúria do Poder Público, que deveria estar dando segurança. Resultado: um veleiro alugado a um casal de idosos paulistas que estava lá com dois filhos e dois netos foi assaltado.
O skipper, quer dizer, o capitão do barco, que estava dormindo, quando acordou, tentou defendê-los e foi barbaramente assassinado, na madrugada de sábado para domingo. Acudido, os assassinos fugiram. Procurou-se a polícia, não havia polícia sequer para o levantamento cadavérico, que só foi feito às 11 horas do dia seguinte.
O jornal A Tarde noticia: "Empresário é morto em assalto a catamarã". E mostra foto do empresário morto de madrugada, que ficou até as 11 horas da manhã nesse estado, porque não havia sequer um delegado, um agente policial para fazer o levantamento. O delegado só apareceu às 11 horas. Não havia sequer um rabecão para fazer o transporte do corpo porque, para se chegar a Itaparica, tem que se pagar um ferryboat, e não há crédito. O Estado não tem acordos para pagar, e não foi possível passar o carro de um lado para o outro, atravessar a Baía de Todos os Santos.
Sr. Presidente. V. Exª e todos aqui conhecem a Baía de Todos os Santos, é a maior baía do Brasil, é uma jóia que Deus doou aos baianos. Temos ali, naquela baía, mais de quarenta ilhas. Não há lugar tão bonito no mundo como Itaparica. Foi feito um esforço dos governos que antecederam o atual Governo, no qual tive, particularmente, uma participação de transformar este presente que Deus nos deu, que é a beleza do nosso litoral e, particularmente, da Baia de Todos os Santos, num atrativo para gerar empregos, através do turismo náutico.
Eu, como Governador, construí uma marina, e esse barco estava ali, junto àquela marina, Sr. Presidente, Srs. Senadores, uma marina em Itaparica, uma marina de nível internacional e que está relativamente sem cuidado, até abandonada, porque, se não há segurança, quem é que vai?
Então, hoje, o que ocorre em toda a imprensa baiana... Veja bem, faço esse registro constrangido porque preciso alertar que existe isso. A Bahia está na lista negra do turismo náutico, segundo o jornal Tribuna da Bahia de hoje, Sr. Presidente. Quem mais vai ter tranqüilidade? Eu veraneio em Itaparica. Eu tenho filhos adolescentes. Eu tenho veleiro. Como vou deixar um filho ancorado, se um casal de franceses foi atacado? Se um paranaense, radicado na Bahia, foi assassinado brutalmente? Então, hoje, para que o turista da Bahia transite, é preciso escoltar os turistas em Salvador, colocar PMs à paisana.
E como fica o cidadão? Como está a proteção do cidadão? Hoje, na Bahia, o jornal A Tarde noticia: "Bandidos param sete bairros com toque de recolher". Por que essa situação? Não era assim. Costumam dizer: "Não, herdamos essa situação dos governos passados". Mas não havia isso nos governos passados. Isso está acontecendo agora. A criminalidade aumentou em mais de 100%, com homicídios praticados em todo o Estado. Se antes a insegurança podia estar nas grandes metrópoles, na capital do Estado, numa cidade de três milhões de habitantes, hoje está espalhada, disseminada em todo o interior do Estado da Bahia.
Então, Sr. Presidente, esse é o comunicado que faço, porque não é a primeira vez, para pedir providências.
Para concluir, Sr. Presidente.
É preciso que o Governo do Estado assuma a sua responsabilidade. Segurança é um direito do cidadão e é um dever do Estado, Sr. Presidente. E o cidadão não pode abrir mão de cobrar isso do Estado, e o Estado não pode abrir mão dessa condição de prestar esse serviço à população.
Um dos itaparicanos ilustres, membro da Academia Brasileira de Letras, João Ubaldo Ribeiro - quem já leu Viva o Povo Brasileiro sabe como ele ama aquela terra a que vai todo ano - declara: "Isso é resultado de um Governo desastroso. Soube que a polícia só tem um carro. É uma esculhambação". Essas são palavras de João Ubaldo Ribeiro. E termina dizendo: "Talvez a culpa seja minha. Falo mal do Governo e maltratam Itaparica". Diz mais João Ubaldo: "Meu Deus! Agora se mata em Itaparica. Ele está governando a Bahia como se fosse a casa da mãe Joana. Sou itaparicano visceral. Não posso me calar numa hora dessas."
Também, Sr. Presidente, como itaparicano de adoção, baiano, soteropolitano, que ama a Bahia e que vê no meu Estado um potencial turístico esplêndido que está sendo explorado corretamente pelo que foi feito no passado, registro que a Bahia não pode viver essa situação de insegurança. Aqui estou, aliando-me à família do falecido Abel Aguilar, à comunidade dos velejadores, dos que amam o mar, dos que amam a Bahia, do cidadão baiano que precisa de segurança, para que se acabe a criminalidade, as matanças dos finais de semana, e que o cidadão baiano não possa perder o que é mais importante na sua vida que é a liberdade.
Concluindo, Sr. Presidente, que ele não possa perder sua liberdade de ir e vir, que é o maior direito do cidadão, um emblema da cidadania, por falta de o Estado cumprir o seu papel de dar o direito do cidadão, que é ter segurança e poder transitar livremente nas ruas da Bahia, em especial na querida Itaparica.