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  04/07/2008
   
Deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE)
Deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE)
Leia a íntegra do discurso do Deputado Inocêncio Oliveira

O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (PR-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o confronto que se cria, no âmbito da União Européia, entre a produção de alimentos e a produção de bicombustíveis, envolvendo o Brasil, é totalmente artificial e envolve tão-só - como bem salientou o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Roma, durante recente conferência da FAO (Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas) - os interesses dos países produtores de petróleo, receosos de que o etanol avance e desloque parte da produção, levando em conseqüência à baixa de preços no mercado.

Novas exigências acabam de ser feitas pela UE para coibir a exportação aos seus 27 países-membros de 30 mil substâncias químicas, incluindo o etanol, cujo grau de toxicidade seria avaliado pela Agência Européia de Produtos Químicos, sediada em Helsinque (Finlândia). O etanol brasileiro, derivado da cana-de-açúcar, terá de provar junto a essa agência burocrática da UE que não causa prejuízos à saúde. A UE - é curioso registrar - concentra 30% da indústria química mundial; e os Estados Unidos, 28%. Nessa controvérsia, a Suíça, outro grande país concentrador de indústria química, ficou de fora da polêmica UE x países produtores de produtos químicos leves e pesados.

O cenário mundial para o etanol está complicado, mas o País não teme as pressões internacionais, pois a qualquer momento observadores imparciais da UE podem verificar que o Brasil, com dimensões continentais, tem espaço suficiente para os bicombustíveis.
O próprio BNDES aposta no setor sucroalcooleiro apesar do cenário das pressões internacionais e dos baixos preços para açúcar e álcool. O financiamento do BNDES para novos projetos de usinas, co-geração de energia e ampliação de unidades industriais deve crescer pelo menos 20% este ano; e a subsidiária BNDESPAR analisa agora a sugestão de associar-se a grupos sucroalcooleiros.

No setor da produção de alimentos, quero saudar a atitude dos produtores de trigo do Sul do Brasil, que aumentaram a área de suas lavouras, tendo em vista as condições favoráveis do mercado, podendo a safra chegar a 5 milhões de toneladas, quantidade que o Brasil sempre importava. O ideal, segundo esses mesmos produtores, é atingir o nível de 7 milhões de toneladas de trigo nacional. Essa resposta é uma demonstração de que, em qualquer tipo de lavoura de alimentação, o Brasil tem condições de rapidamente responder à demanda interna. E criar até mesmo excedentes exportáveis, antes não o tendo feito, no caso de trigo, para manter o equilíbrio nas trocas comerciais dentro do MERCOSUL, principalmente com a Argentina.

Quero fazer minhas declarações recentes do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista exclusiva aos Associados do Brasil: "É inconcebível alguém dizer que a questão do bicombustível tem alguma coisa a ver com o preço dos alimentos, por que o mundo não produz bicombustível e tem 854 milhões de pessoas que vão dormir sem comer. Os que criticam o bicombustível nunca criticaram o preço do petróleo". Nenhuma melhor definição do que essa para essa crise artificial que se quer produzir, através da mídia européia, colocando o Brasil no centro da polêmica.


Muito obrigado.



Fonte: Agência Brasil
   



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