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Deputado Linconl Portela (PR-MG)
O deputado Lincoln Portela (PR-MG) denunciou nesta quarta-feira, 14, em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, que a adição de produtos químicos ao leite contava com a cumplicidade de produtores, especialistas e laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura.

"Embora para o consumidor a adição dessas substâncias no leite seja uma novidade, alguns produtores, especialistas e até mesmo laboratórios credenciados do Ministério da Agricultura admitem que a prática exista há anos e que agora tomou maiores proporções", ressaltou.

Segundo Portela, sal, açúcar, amido, soro, água e até urina de vaca já foram detectados em análises feitas pelos órgãos de fiscalização. Os componentes, explicou o parlamentar, aumentam o volume do leite, já a água oxigenada é usada especialmente para impedir a proliferação de bactérias, enquanto a soda cáustica neutraliza a acidez presente no soro.
Fraude no leite

O caso veio à tona na penúltima semana de outubro no Sul de Minhas Gerais. Duas cooperativas de Minas Gerais adulteravam o leite com soda caústica e água oxigenada, que depois era vendido aos consumidores e a outras empresas.

Em entrevista exclusiva ao programa "Fantástico", da Rede Globo, no dia 28 do último mês, o ex-funcionário de uma das cooperativas revelou que soube do esquema "através do depoimento de outras pessoas e dos funcionários das empresas que começaram a falar entre si".

Segundo ele, a mistura consistia na adição de soda, açúcar, água oxigenada e várias outras substâncias, com o objetivo de fraudar o leite sem deixar vestígios.

A Polícia Federal começou a agir quando ele procurou uma delegacia para contar tudo o que testemunhou, em julho deste ano.

Dois meses depois da denúncia as investigações da PF comprovaram que as cooperativas - Casmil e Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) fraudavam o leite.

O produto era produzido nas fazendas e, depois, vendido para as cooperativas. Ali ele era adulterado com dois objetivos: aumentar o volume e mascarar a má qualidade do produto. A cada 100 mil litros de leite, a cooperativa ganhava 10 mil litros.

No dia 22 de outubro a PF deu início a operação Ouro Branco e prendeu 27 pessoas em Passos, no sul de Minas Gerais, e em Uberaba, no Triângulo mineiro.

Todos os 27 presos foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha e adulteração de produto alimentício. A PF declarou, no dia 31 de outubro, que vai abrir inquéritos em todas as localidades que forem detectadas irregularidades no leite.

Leia a íntegra do discurso do deputado Lincoln Portela



 



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